terça-feira, 12 de abril de 2011

Daniel, o Profeta

CAPÍTULO 11
     
Este capítulo dá uma explicação mais minuciosa dos acontecimentos que foram preditos no oitavo capítulo. O profeta havia predito a divisão do reino de Alexandre em quatro partes. Duas delas, nas quais estavam incluídos o Egipto e a Síria, um para o norte, o outro para o sul, em relação à Judeia, parecem ter prendido a atenção principal do profeta, porque ao seu povo interessava, de modo especial, a sorte deles; sendo estes os países em que, de longe, o maior número de judeus se encontravam e ainda se encontram dispersos. Ele trata destes países (de acordo com os pontos de vista dos expositores mais esclarecidos) deste então até à conquista da Macedónia, A.M. 3836, 168 A.C., quando começa a falar dos Romanos, 1-30; e, em seguida, da Igreja sob esse poder, 31-35. Isto leva-o a falar do Anticristo, que estava para surgir naquela região, 36-39; e dos poderes que, no tempo do fim ou nos últimos dias da monarquia romana (como este termo é geralmente entendido), haviam de empurrar para ele e derrubar muitos países, 40-43. Por o rei do sul, no verso quarenta, supõe-se querer ele entender o domínio dos Sarracenos ou Árabes, o qual se revelou uma praga excessivamente grande para o império Romano do oriente e, também, para vários territórios papais, no espaço de 150 anos, isto é, a partir de 612 A.D., quando Maomé e seus seguidores, primeiro, começaram os seus saques, até  762 A.D., quando Bagdad foi construída e tornou-se a capital dos califas da casa de Abbas, época a partir da qual os Sarracenos tornaram-se um povo mais sedentário.
Por o rei do norte, no mesmo versículo, supõem alguns que o profeta designa o grande flagelo da Cristandade Oriental, o império Otomano ou Otmano, pelo qual, depois de cerca de cento e cinquenta anos de hostilidades quase ininterruptas, o império Romano do Oriente foi completamente subvertido, 1453 A.D. O capítulo termina com a predição da queda final deste poder do norte e da maneira como este grande evento se cumprirá, 44-45. Mas deve notar-se que, apesar das observações muito sábias do Bispo Newton e de outros, sobre este capítulo, o modelo de interpretação deles apresenta dificuldades muito grandes e intransponíveis, entre as quais, o muito dilatado detalhe de eventos da história da Síria e do Egipto que compreende um período de menos de 200 anos e a transição bastante estranha para as operações incomparavelmente maiores dos tempos anticristãos e de muito mais longa duração, que são passadas por alto com estranha brevidade, não são as menos importantes. No entanto, em todas estas matérias, o leitor deve julgar por si mesmo. Ver as notas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Daniel, o Profeta

Capítulo 10:14-21  
        14. Porque a visão é ainda para muitos dias. Há muitas coisas que restam ainda para ser reveladas e o tempo do seu cumprimento está muito distante.
        15. Abaixei o meu rosto. Ele estava em pé direito, vers. 11 e, neste momento, inclinou seu corpo em reverência e olhou para baixo para o chão.
        16. Como semelhança dos filhos dos homens. Acho que aqui tem-se em vista Gabriel, que apareceu a Daniel em forma humana; e, do mesmo modo, no versículo 18; ver também o capº. 9:21. Me tocou os lábios. Antes disso ele tinha estado incapaz de falar. Por causa da visão. A visão que já tive e da qual não tenho um conhecimento exacto, afligiu-me grandemente, porque vejo que ela dá a entender calamidades atrozes para o meu povo. Ver o capº. 9:26.
       17. Nem fôlego ficou. Ele não podia respirar livremente; estava quase sufocado de tristeza.
      
19. Homem muito amado. "Homem de deleites". Fala, meu senhor. Agora estou tão fortalecido e encorajado, que serei capaz de suportar qualquer revelação que possa fazer.
      
20. Sabes porque eu vim? Tão elevado estás no favor de Deus, que Ele me enviou a ti, para te dar mais satisfação, embora eu estivesse em outro lugar, ocupado numa missão da máxima importância, e deva voltar rapidamente para a cumprir, isto é, Pelejar contra o príncipe da Pérsia. Remover todos os escrúpulos de Ciro e animá-lo a fazer tudo o que Deus projecta para ele fazer pela restauração do meu povo e a reedificação da cidade e Templo de Jerusalém. Nada menos do que uma influência sobrenatural no espírito de Ciro contará para o seu decreto em favor dos Judeus. Ele não tinha nenhuma inclinação natural nem política para o fazer; e a sua relutância em obedecer às propostas celestiais é aqui representada como uma luta entre ele e o anjo. Virá o príncipe da Grécia. Acredito que isto se refere a Alexandre, o Grande, que havia de destruir o império Persa. Veja o segundo e o terceiro versos do capítulo seguinte.

        21. Expresso na escritura da verdade. Talvez isso se refira ao que ele já tinha posto por escrito. Veja as visões anteriores que Daniel não entendia completamente, embora uma impressão geral, proveniente delas, tivesse enchido seu coração de tristeza. Miguel, vosso príncipe. O arcanjo mencionado anteriormente, vers. 13 e que sempre se supõe ter sido nomeado por Deus como o guardião da nação Judaica. Parece que Deus escolheu fazer uso do ministério de anjos nesta ocupação; que os anjos, visto que eles só podiam estar em um lugar de cada vez, não eram capazes de produzir influência onde não estivessem; e que, para realizar a operação na mente do rei Persa, era necessário que ou Gabriel ou Miguel estivesse presente com ele, e, quando um fosse enviado noutra comissão, o outro tomasse o seu lugar; ver vers.13. Mas nós sabemos tão pouco do mundo invisível que nós não podemos, com segurança, afirmar nada de forma positiva.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Daniel, o Profeta

Capítulo 10:10-13          
          10. Uma mão me tocou. Nada era aparente ou palpável, senão uma mão. Uma mão havia escrito o destino de Belsazar na parede, e a mão é mencionada frequentemente, quando se tem em vista o poder ou a majestade. Talvez, por "mão" se tenha em vista o próprio Deus. 
          12. Eu vim por causa das tuas palavras. Por causa das tuas orações fui enviado para confortar-te e instruir-te.
          13. Mas o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim. Eu acho que seria ir longe, criar uma lenda ou um conto incerto, com base nesta importante passagem, para procurar defender que um anjo, seja bom, seja mau, é o que aqui se quer dizer. Ciro, somente, era o príncipe da Pérsia e Deus o tinha destinado para ser o libertador do seu povo; mas havia algumas questões, das quais não somos informados, que o levaram a hesitar por algum tempo. Temendo, provavelmente, a grandeza da tarefa e não estando totalmente satisfeito com a sua capacidade para a executar, então, ele, por um momento, resistiu às inspirações secretas que Deus lhe tinha enviado. A oposição podia ser em relação à construção do Templo. E eis que Miguel. Gabriel, que fala, não deixou Ciro até que Miguel chegou para assumir o seu lugar. Miguel, "aquele que é como Deus," às vezes parece dar a entender o Messias, em outras ocasiões, o arcanjo maior ou chefe. Na verdade, não há nenhum arcanjo mencionado em toda a Escritura, senão este único. Ver Judas 9; Apocalipse 12:7.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Daniel, o Profeta

Capítulo 10:4-9
           4. À borda do ... Hidequel. O mesmo que o Tigre, o grande rio da Assíria.
           5. Vestido de linho. A descrição é destinada a assinalar o esplendor das vestes. Ouro de Ufaz. O mesmo que Ofir.
          6. O seu corpo era como o berilo. A descrição dessa pessoa é muito semelhante à do nosso Senhor, em Apocalipse 1:13-15.
          7. Os homens que estavam comigo não a viram. Um caso exactamente paralelo ao que ocorreu com a conversão de Saulo de Tarso, Actos 9:7. Registou-se uma influência divina que todos sentiram, mas só Daniel viu a aparência corpórea.
         9. Eu caí ... profundamente adormecido. Eu caí num desmaio.

domingo, 3 de abril de 2011

Daniel, o Profeta

Capítulo 10
             Este capítulo e os dois seguintes dão conta da última visão de Daniel, em que se descreve a sucessão das monarquias persa e grega, juntamente com as guerras que teriam lugar entre a Síria e o Egipto, debaixo da última monarquia. A última parte da visão (a partir do capítulo 11:36) parece estar relacionada principalmente  com as perseguições da Igreja nos tempos do Anticristo, até ela ser purificada de todas as suas impurezas; após o que se seguirá o Reino glorioso dos santos, de que se fala nos capítulos sete e oito. Este capítulo começa com o relato do jejum e humilhação de Daniel, 1-3. Depois temos uma descrição da Pessoa Divina que apareceu ao profeta, não diferente daquela que apareceu ao apóstolo, na ilha de Patmos, 4-21. Veja Apocalipse 1:10-16.

            1. No terceiro ano de Ciro. O qual corresponde ao primeiro ano de Dario o Medo. O tempo indicado era demorado. Mas a "guerra prolongada"; haverá muitas disputas e guerras antes que estas coisas possam ser cumpridas.
            2. Eu ... estive triste por três semanas completas. Muito provavelmente, as semanas são contadas a partir do tempo da conclusão da última visão.
            3. Manjar desejável não comi. Este jejum foi antes uma abstinência geral, vivendo todo o tempo de alimentos grosseiros e desagradáveis​​, nada bebendo, senão água, não usando a banheira e, provavelmente, usando cilício próximo da pele, durante todo o tempo.  

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Daniel, o Profeta

Daniel 9:24 (contin.), 26 e 27
         As 70 semanas mencionadas atrás, ou 490 anos, estão divididas, no vers. 25, em três períodos distintos, a cada um dos quais são designados eventos particulares. Os três períodos são - (I) Sete semanas, isto é, 49 anos. (II) Sessenta e duas semanas, ou sejam, 434 anos. (III) Uma semana, ou seja, 7 anos. Ao primeiro período de sete semanas, estão referidas a restauração e reparação de Jerusalém; e por todo esse tempo Esdras e Neemias foram ocupados em restaurar as constituições sagradas e as instituições civis dos Judeus, porque esta tarefa durou 49 anos depois que Artaxerxes deu-lhes a comissão. A partir das sete semanas acima, começa o segundo período de 62 semanas, ou mais 434 anos, no fim do qual, diz a profecia, o Messias, o Príncipe, havia de vir. Ou seja, sete semanas, ou 49 anos, seriam concedidas para a restauração do estado judeu; deste tempo até à entrada do Messias no exercício público do seu ministério deviam decorrer 62 semanas, ou 434 anos - ao todo, 483 anos. A partir da vinda de nosso Senhor, o terceiro período deve ser datado, ou seja, "Ele firmará um concerto com muitos por uma semana," isto é, sete anos, vers. 27. Esta confirmação do concerto deve ter lugar no ministério de João Baptista com o de nosso Senhor, compreendendo o período de sete anos, tempo total durante o qual d'Ele pode dizer-se, e bem, que confirmou ou ratificou o novo concerto com a humanidade. O nosso Senhor diz: "A lei durou até João"; mas a partir da sua primeira pregação pública, o reino de Deus, ou a dispensação do evangelho, começou. Dean Prideaux pensa que o todo se refere à pregação do nosso Senhor em conexão com a do Baptista. Vachatsi, diz ele, significa na "metade" da semana; ou seja, nos últimos 3 anos e meio, em que Ele se exercitou no ministério público, Ele fez cessar, pelo sacrifício de Si mesmo, todos os outros sacrifícios e oblações, os quais foram instituídos para representar o d'Ele. Na parte final do vers. 26 e 27, encontramos a terceira parte desta grande profecia, a qual se refere ao que deve ser feito após a conclusão destas 70 semanas.
           26. E o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário. Pelo "príncipe" quer dizer-se, claramente, Tito, o filho de Vespasiano; e "o povo" desse príncipe não é nenhum outro senão os Romanos que, de acordo com a profecia, destruíram o santuário, hakkodesh, "o lugar santo" ou Templo e, como um dilúvio, varreram tudo, até que a destruição total deste povo obstinado pôs termo à guerra.
           27. E sobre a asa das abominações virá o assolador. Esta cláusula é bastante obscura. "E sobre a asa das abominações causando espanto." Esta é uma tradução literal da frase; mas ainda não há nenhum sentido determinado. Um manuscrito Hebraico escrito no século XIII, preservou aqui uma leitura muito notável, que liberta o lugar de todos os embaraços. Em vez da leitura acima, esse valioso manuscrito tem: "E no templo [do Senhor] haverá abominação." Isso torna a passagem fácil, e está estritamente conforme aos próprios factos, porque o Templo foi profanado; e concorda com a predição de nosso Senhor, que disse que a abominação desoladora estará no lugar santo, Mateus 24:15, e cita as palavras como fora proferidas por Daniel, o profeta. Que a leitura acima dá o verdadeiro sentido não pode haver dúvida, porque é apoiada pelas versões antigas mais eminentes. A Vulgata diz: "E no templo haverá abominação." A Septuaginta: "E sobre o templo estará a abominação da desolação."