terça-feira, 22 de dezembro de 2009

CRISTO NÃO TEM MÃOS

Cristo não tem mãos, só nossas mãos,

Para realizar seu trabalho hoje;

Ele não tem pés, só nossos pés,

Para conduzir pessoas em seu caminho.

Ele não tem lábios, só nossos lábios,

Para contar às pessoas sobre sua morte;

Ele não tem ajuda, só nossa ajuda

Para levar pessoas a ele.

Nós somos a única Bíblia,

Que o público ainda lê.

Nós somos para os pecadores o evangelho,

Para os zombadores a confissão de fé.

Nós somos s última mensagem de Deus

Escrita em palavras e acções

… e se a Escritura é falsa –

- não pode ser lida?

E se nossas mãos estão ocupadas

Com outras coisas e não com as dele?

Se nossos pés levam

Para onde o pecado atrai?

Se nossos lábios falam

O que ele condenaria?

Esperamos nós podermos servi-lO

Sem O seguirmos?

CANTIGA DO MENINO POBRE

Estou com fome e com frio;

Doem-me os pés,

E as mãos me ardem.

A noite é tão fria … a chuva … o vento …

Molhado está o meu cabelo,

Molhados estão os meus pés,

E duros, meus dedos.

Eu vou morrer de frio na rua.

Mas não quero morrer aqui, meu Deus!

Ah, quanta luz naquelas casas!

Quantas janelas iluminadas!

Se eu pudesse entrar…

Se eu pudesse aquecer-me,

Enxugar meu cabelo

E receber um pedaço de pão…!

Porque não quero morrer aqui, Senhor!

A chuva é tão fria,

E a rua, tão molhada…

Ah, se ao fogo pudesse me aquecer,

Um pouquinho só, meu Deus!

Não quero morrer aqui no chão.

Vem levar-me, Pai do Céu,

Para dentro dessas salas tão quentinhas …

Eu tenho tanta fome e tanto frio

E não quero morrer aqui,

Sozinho,

Na chuva e no vento,

No frio da noite …

Vem levar-me, Senhor,

Vem levar-me.

Herbert Rothenburg

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

VIVER EM SANTIDADE

A vida de santidade é, certamente, a aspiração de todos os crentes cristãos. Mas viver em santidade não é uma questão de tentativas humanas. Amiúde, ouvimos testemunhos de irmãos que afirmam procurarem viver segundo a vontade de Deus; de outros mais que afirmam viverem vidas diferentes dos não crentes, portanto, estes olhem para a diferença que há entre uns e outros na forma como vivem neste mundo; e outros, ainda, exortam aos irmãos a procurarem andar nos caminhos do Senhor para poderem provar ao mundo que é melhor ser cristão do que não ser. Bem, vejo que há muito idealismo em tudo isto, mas se formos realistas, descobrimos que, no fundo, é um humanismo que domina em todos estes bonitos propósitos. Viver em santidade não é viver diferente dos outros, diferente do mundo. Viver em santidade é não sermos mais nós que vivemos, mas Cristo que vive em nós.
Quero dizer que há uma faceta da santidade muito necessária, mas que é apenas a metade do caminho para um viver santo, evangélico, bíblico. Nós somos, sem nenhuma sombra de dúvida, convidados, exortados, instados, a viver em santidade e justiça todos os dias da nossa vida e, assim, servir ao Senhor. Somos conclamados a operar a nossa salvação com tremor e temor. O apóstolo Paulo nos desafia com a paixão que o Espírito Santo lhe pôs no coração a apresentar os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que é o nosso culto racional e a não nos conformarmos com este mundo, mas a nos transformarmos pela renovação do nosso entendimento. Mas nunca somos entregues à nossa sorte para procurarmos viver, às expensas de nós mesmos, a exigente vida de santidade. Quem tentou e não caiu em completa frustração? Quem se entregou inteiramente a Deus, em sacrifício vivo, no altar da consagração e esperou pacientemente ali, até que caísse fogo santo sobre ele, vindo do céu e, uma vez consumido o sacrifício no altar, não se levantou do altar morto para o mundo, morto para a carne, morto para o diabo, para viver em novidade de vida, na virtude da vida ressurecta do Senhor Jesus, à semelhança do Senhor que vivia não para Si mesmo, mas para o Pai, não para fazer a Sua vontade, mas a do Pai?
A vida santa requer de ti, meu irmão, que entronizes a Cristo como Senhor no teu coração. É Ele que faz, ou melhor, que fez as despesas para que vivas uma vida de santidade. Sua obra na Cruz do Calvário garante para todos os que crerem, não só o perdão, como também a santificação. O preço que Ele pagou inclui não só o resgate das treevas, mas a instalção no reino da luz. A vida santa requer que separes de todo o uso profano, mundano, o teu ser total e o consagres inteiramente ao teu Deus. Tens que, com a tua própria boca, declarar ao diabo que já não és mais propriedade dele e de o demonstrar com a tua auto-entrega a Deus, no altar. O Senhor ensinou: "Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça..." Deitai fora os deuses estranhos, os ídolos de ouro, de prata, de barro, de pau, de metal, de carne e osso, quaisquer que sejam seus formatos, símbolos do domínio demoníaco, e purificai-vos. Isto qualquer um pode fazer, se o quizer fazer. Deus te requererá sempre o fazeres aquilo que está ao teu alcance. Mas aquilo que não podes fazer, tens de deixar com Ele o fazê-lo. E o que não podes fazer é, a despeito de toda a azáfama em tentativa de ser obediente e tirar o "lixo" da casa do teu coração, do teu "templo", santificar a casa e torná-la apta para receber o Espírito de Santidade, que deseja dele fazer o Seu templo, a Sua morada. É Ele mesmo que vem com fogo purificador, incendeia todos os cantos e santifica a casa. Apossa-se de tudo o que és e consagraste, "espírito e alma e corpo", destrona o usurpador e este não terá mais domínio sobre a tua vontade, sobre as tuas emoções, sobre a tua mente, uma vez que o velho homem, no qual ele morava e sobre o qual exercia domínio quanto bastava para não servires a Deus em santidade e justiça, agora está morto. E, renascido para a vida e revestido do novo homem, vive na virtude de Cristo.
Meus irmão, separa-te de todo o pecado, de tudo o que em ti queira ao reino de Cristo se opor, entrega-te em consagração total (espírito, alma e corpo) ao Senhor, aguarda em oração no altar e o Espírito Santo virá inaugurar em mais uma criatura de Deus, a vida gloriosa de Cristo. Viverás à imitação de Cristo, porque fiel é Aquele que prometeu, o Qual o fará.

Minha Esperança Portugal - Reunião Coimbra

Amados colegas e irmãos em Cristo.
Paz em Jesus.

Alguns de vós, estiveram presentes, na passada terça-feira, no encontro de apresentação do projecto Minha Esperança. Foi um enorme gozo podermos desfrutar da presença do Dr. Bill Conard, Vice-Presidente da Associação Billy Graham. Agradecemos também à Igreja Assembleia de Deus de Coimbra e ao seu Pastor, o irmão João Pedro Carvalho, a amável hospitalidade.

Para os que ainda não sabem, a Associação Evangelística Billy Graham (AEBG) tem estado a promover com as igrejas locais em vários países este projecto de evangelização denominado A Minha Esperança (My Hope). A Minha Esperança é um esforço evangelístico, para que cada crente do país alcance os seus amigos, familiares e vizinhos com o Evangelho da esperança em Jesus Cristo, convidando-os a vir a sua casa para assistir a três programas evangelísticos de televisão, ajudando-os a crescer no Senhor e a tornarem-se parte da igreja local. Neste projecto, que envolve muita formação prévia, a mensagem de Jesus Cristo é transmitida pela televisão em três noites consecutivas através de uma rede de alcance nacional e em horário nobre.

Ficou assente, pelos líderes presentes, que este é um projecto a acolher e que vem responder a uma necessidade específica. Os Pastores e líderes disseram também que sentem uma enorme necessidade de reacender nas suas comunidades uma paixão maior pela evangelização dos perdidos, os que ainda não conhecem o amor de Deus. Foi manifesto de forma inequívoca o desejo de uma maior comunhão e unidade entre os líderes para orarem juntos e sonharem juntos os desafios do ministério dado às Igrejas da região. Também falámos da necessidade de contextualizar estas oportunidades e recursos que nos chegam mas, pareceu a todos, que o Projecto Minha Esperança, combina muitíssimo bem a necessidade de um evangelismo pessoal com o uso de meios de mass media como a TV. Além disso, foi dito que a estratégia dos grupos familiares, já conhecida e praticada por muitas igrejas é muito adequada à nossa realidade, embora não ignoremos que existem resistências à abertura dos lares pelos portugueses. Foi dito que este projecto poderá galvanizar as nossas igrejas a definitivamente usarem esta estratégia de grupos em casas, sem prejuízo das suas celebrações habituais.

As questões financeiras foram também afloradas e o Dr. Bill Conard expressou que a AEBG fará uma proposta de orçamento provisória e dispoê-se a colaborar com 50 a 60% dos encargos. O restante será levantado entre as igrejas aderentes com duas ofertas de amor a enviar à coordenação do projecto em Portugal, e a venda dos pacotes de materiais da Operação Mateus. A AEBG também esclareceu que fará uma parceria formal com uma organização evangélica com estatuto jurídico a qual assumirá a gestão financeira do projecto.

O Dr. Bill Conard apreciou imenso a atitude e disposição dos irmãos presentes e levou para os EUA a informação de que os Pastores e as Igrejas representadas gostariam de ver o projecto Minha Esperança em Portugal.

Ficou então definido que a Direcção da AEP deverá pronunciar-se sobre o envio de uma carta formal à AEBG para os convidar a desenvolverem este projecto entre as Igrejas Portuguesas. A Direcção da AEP, caso assim o entenda, ficará com a responsabilidade de indicar uma equipa de trabalho que seja representativa das diferentes famílias denominacionais. Essa equipa a definir, será a responsável pelo projecto Minha Esperança submetendo-se à liderança da AEBG.

Para já, informamos os irmãos que lançaremos, em breve, uma página na internet do Minha Esperança Portugal com artigos e informações úteis sobre a necessidade de nos mobilizarmos para a oração e o evangelismo pessoal. Quem quiser poderá consultar o site www.minhaesperanca.com.br e obter informações do projecto realizado no Brasil e que resultou em 300.000 decisões por Cristo.

Em Cristo e para Sua Glória,

Pr. Paulo Pascoal
Presidente da Mevic – Missão Evangélica Intercultural

MEVIC – Missão Evangélica Intercultural
Av. D. António Correia de Sá, 38 - Cv Dtº
2745-242 QUELUZ - PORTUGAL
Tel. /Fax: +351-21 430 2510
www.mevic.pt

terça-feira, 20 de outubro de 2009

DESABAFO

Algumas pessoas, irreflectidamente ou "malpensadamente," afirmam à boca cheia que Deus não existe. Pretendem, com isto, dizer que sabem tudo quanto existe. Não levam em conta o testemunho daqueles que fazem a afirmação oposta. Desmentem, sem pudor, o que milhares e milhões já afirmaram, ao longo de milénios, outros tantos afirmam, neste presente momento e outros tantos ainda afirmarão, no futuro sem fim.

Tenho de confessar que, quando oiço tais proclamações da boca de seres humanos como eu, em essência, e maiores do que eu, em conhecimento e saber, sinto um desagradável nó do estômago à garganta. Não por medo de que Deus, de facto, não exista, mas, pela imagem que estas pessoas, em verdade, dão de si.

Salvo todo o devido respeito por muitas delas, que não é pequeno, nem pouco, a imagem é, defacto, pequena e confrangedora. Porque, se eu, mera criatura humana, me elevo, ostensivamente, acima de uma nação inteira (1 Pedro 2:9) e dos céus infinitos (Salmo 19:1), para desmentir aquilo que afirmam categoricamente, torno-me confrangedoramente digno de dó. Assim penso, na minha modesta compreensão. Porque, em pouco tempo, estarei fora de prazo, caducarei, e nas mãos de quem cairei?...

A Bíblia conta a história de um povo, disperso por tribos, que foi liberto da condição de escravo numa terra estranha, unido e tornado uma nação, organizada, dotada de leis modernas para o tempo, conduzida às fronteiras do território que lhe estava reservado para sua pátria. Quando mais precisavam da liderança do homem que tanto bem lhes tinha feito, esse, que se tinha agigantado aos olhos deles, simplesmente sumiu. Faltou-lhes. Morreu...

Mas Alguém, que era o principal responsável por todos esses benefícios, continuava vivo, são e no comando. Então, falou, transferindo a responsabilidade a outro, tão capaz de continuar a obra. Diz a Bíblia: "E sucedeu, depois da morte de Moisés, servo do Senhor, que o Senhor falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto. Levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel." Por outras palavras, "Moisés é morto, mas «EU SOU», estou vivo, podeis contar comigo".

Os líderes das nações vêm e vão, por isso se multiplicam. Mas Deus continua o mesmo, ontem, hoje e eternamente. Escritores, políticos, diplomatas, militares, gurus, filósofos, benfeitores, malfeitores, todos cairão nas mãos de Deus. Podem fazer jornadas longas de oitenta, noventa, cem anos, fazer, escrever e dizer livremente, mas o seu fim será o mesmo, porque "não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as coisas estão nuas e patentes, aos olhos dAquele com quem temos de tratar."

Pois bem, não haja Deus, para que alguns se safem! Mas se houver Deus, todavia, será triste a situação daqueles que cairem "nas mãos do Deus vivo", que "é um fogo consumidor."

Por outro lado, também poderão preparar-se para esse dia, mudando de orientação e aprendendo a esperar "inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo"... Neste caso, a sua bem-aventurança será desmedida!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

UM GUIA SEGURO PARA O CÉU - Joseph Alleine

Na conversão devemos afastar-nos do pecado, de Satanás, do mundo, e da nossa própria justiça.

A – Afastamento do pecado. Quando alguém se converte, automaticamente passa a ser inimigo do pecado, de todos os pecados, antes de mais dos seus, e em especial dos seus pecados mais íntimos. O pecado é agora objecto da sua indignação. Os pecados aumentam-lhe a dor. É o pecado que o penetra e o fere, sentindo-o como um espinho num pé, ou como uma picadela numa vista. Então geme e chora compungidamente, exclamando: «Que infeliz eu sou!» Nada lhe pesa tanto como o pecado. Se Deus lhe desse a escolher, o que mais desejava era ver-se livre do pecado, esse grão de areia que lhe tortura o pé quando caminha.

Antes da conversão vivia com o pecado, acariciava-o no seio, alimentava-o, com ele crescia, comendo e bebendo, e tratando-o com carinho quase filial. Mas desde que Deus lhe abriu os olhos pela conversão, verificou-se uma mudança completa, a começar pelo ódio ao pecado, profundamente convencido não só do perigo, mas também da corrupção desse mal, que é o pecado. Ei-lo agora correndo para Cristo, a banhar-se na fonte que o purificará de toda a impureza. E se voltar a ter uma queda, não descansará enquanto não se purificar novamente, apressando-se a buscar na Palavra de Deus a fonte salutar que o purificará de toda a impureza do corpo e da alma.

O novo convertido está inteiramente empenhado na luta contra o pecado, luta renhida e porfiada, da qual nem sempre sai vencedor. Mas depor as armas, nunca! Pelo menos não haverá paz enquanto tiver um sopro de vida, nessa guerra sem quartel que declarou ao pecado. Pode perdoar a outros inimigos, compadecer-se dele e por eles orar. No que se refere ao pecado, o caso é diferente. Será implacável até ao extermínio completo desse grande inimigo. E com razão assim o persegue para defender uma vida preciosa. Não perdoará. Não pode perdoar. Trate-se embora dum pecado proveitoso, que lhe traga, por exemplo, a estima dos seus amigos mundanos. Não. Será preferível toda a sorte de prejuízos materiais a entregar-se por um só momento ao pecado. Nada de tolerâncias.

Leitor amigo, terá a tua consciência ficado indiferente ao acabares de ler estas linhas? Terás porventura ponderado bem o que nelas se diz? Terás ficado convencido de que te dizem respeito? Se não, lê-as novamente, e deixa que a tua consciência fale.

Crucificaste a carne com os seus afectos e prazeres? Confessaste a Deus todos os teus pecados, abandonando-os e afastando-os da vida prática? Se ainda não o fizeste, é sinal de que não estás convertido. Ao leres estas palavras, não te diz a consciência que vives no caminho da mentira e do erro, e que te estás enganando a ti próprio? Vives no fel da amargura e em comunhão com o pecado?

Não serão testemunhas contra a língua desenfreada, as más companhias, e a falta de oração e de leitura da Palavra de Deus? Não te segreda a consciência que há um caminho que sabes ser mau, mas que segues por meros respeitos humanos? Se for este o teu caso, não te podes considerar convertido e, a menos que mudes de vida, estás condenado para sempre.

B Afastamento de Satanás. Pela conversão, o homem tem oportunidade de se afastar do poder de Satanás e se integrar na milícia do Céu. Outrora, mal o demónio levantava o dedo para chamar o pecador às más companhias, aos divertimentos pecaminosos e aos prazeres da carne, imediatamente era obedecido, lembrando a Palavra de Deus: «Segue-o logo como boi que vai para o matadouro e como o louco para o castigo das prisões e ainda como a ave que se apressa para o laço, não sabendo que ele está ali contra a sua vida» (Provérbios 7:22,23). Mal Satanás o obrigava a mentir, já a língua estava pronta para o fazer; mal lhe apresentava um gozo carnal, era de ver a satisfação com que o aguardava. Enfim, bastava o demónio dar-lhe a entender qual a sua vontade, imediatamente em tudo lhe obedecia, ponde de lado, se necessário, as suas obrigações. Que transformação, porém, após a conversão! É que o Senhor que agora passou a servir é bem diferente. Há que segui-Lo, seja como for. Talvez Satanás ainda se lembre de lhe estender uma armadilha, mas não é fácil a queda, porque a vigilância acima de tudo! Urge espreitar esse inimigo, que agora o é cada vez mais e que não cessa de recorrer a todos os meios para humilhar o novo convertido. A luta é sem tréguas e contra todos os poderes do mal, que aliás nunca serão bem acolhidos. Em conclusão, é preciso não perder de vista esse inimigo, afugentando-o pelo cumprimento rigoroso do dever, para que nunca lhe leve vantagem.

C – Afastamento do mundo. Enquanto alguém não tiver verdadeira fé, de certeza que é dominado pelo mundo. Ora se deixa seduzir pelas riquezas, ora presta culto à sua própria reputação, ora ama os prazeres mais que ao próprio Deus. Eis a principal razão da miséria moral do homem após o pecado. Voltou-se para a criatura dando-lhe aquela confiança, afecto e amor que só a Deus são devidos.

Que condição tão miserável a do homem, que assim se transformou num monstro disforme, depois de Deus o ter colocado «um pouco abaixo dos anjos». Afinal o monstro com essa disformidade colocou-se abaixo dos demónios, completamente deslocado do seu primitivo e devido lugar. O mundo, que foi criado para vos servir, passou a dominar-vos de tal modo que, seduzidos por ele, começareis a servi-lo.

O que vale é que a graça da conversão o transformará completamente de maneira a repor Deus no seu trono, e o mundo a seus pés. «Estou crucificado para o mundo e o mundo para mim» (Gál. 6:1). Outrora exclamava: «Quem nos mostrará o bem?», mas agora orará assim: «Senhor, coloca sobre mim a luz do teu rosto», e não me interessam o trigo e o vinho (Salmo 4:6,7). Antes era no mundo que se comprazia: «Alma, diverte-te, come e bebe e sê feliz: tens tanta coisa boa e para tantos anos». Hoje tudo se modificou e pode dizer como o Salmista: «O Senhor é a parte da minha herança; tudo me correu à medida dos meus desejos; daí, que rica lembrança me tocou!» Nada mais o pode fazer feliz. Para ele agora todos os prazeres mundanos constituem a mais vã das loucuras, e as pretensões humanas a mais vil das ninharias. Interessa-o agora a vida e imortalidade. Aspira pela graça e pela glória, e tem em vista uma coroa incorruptível. O seu coração está empenhado exclusivamente em procurar a Deus. Primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, quer dizer, a principal finalidade da sua vida é a religião. Em tempos era o mundo que exercia grande influência sobre ele, a ponto de estimar mais os amigos que o próprio Deus. Agora, Cristo está acima do pai e da mãe, e até da própria vida!

Bom leitor, faz uma breve pausa, e repara como te diz respeito quanto se acaba de dizer sobre o mundo e a influência que sobre ti pode ter. Mas queres evitar essa influência e dedicar-te a Cristo? Porventura sentes-te mais à vontade quando, rodeado de deleites carnais, pensas no mundo, do que quando te retiras do bulício desse mundo para orar e meditar, ou assistir ao culto da Palavra de Deus? A prova mais evidente de que ainda não pertencemos a Cristo é admitir a supremacia do mundo a tudo quanto é espiritual.

Após a conversão, Cristo ocupa o lugar do mundo. O Seu nome é gravado profundamente no coração de quem agora para sempre Lhe pertence. Com a revelação salvadora de Cristo tudo caiu por terra, como Dagon diante da Arca: honra, riquezas, futilidades. E em compensação que adquiriu? Uma pedra preciosa de inestimável valor, um tesouro, uma esperança que é uma glória. «O meu amado é meu, e eu sou dele». Oh! que felicidade o poder exclamar: «Cristo é meu».

D Afastamento da nossa própria justiça. Antes da conversão, o homem julga-se capaz de se bastar a si próprio, de confiar nas suas possibilidades, de exaltar a sua justiça, em vez de se submeter a Deus. A conversão vem, todavia, modificá-lo completamente, de maneira a nada atribuir à sua própria justiça, que de hoje em diante de nada lhe serve. Agora é levado a uma pobreza de espírito que considera todos os seus bens como miseráveis e sem proveito espiritual algum. No que agora considera santo via antes um mundo de iniquidade, e o que outrora idolatrava, para ele não passam presentemente de meras ninharias. O que agora sobe no seu conceito é unicamente a justiça de Cristo. Via necessidade de Cristo em toda a sua conduta, para o justificar e santificar. Sem Ele não pode viver, sem Ele não pode orar. Sem Ele não pode aproximar-se de Deus. Sem Ele não é ninguém, porque a sua vida está presa à de Cristo, como a raiz à terra para fixar toda a árvore. Cristo, um ser sem qualquer interesse outrora, é hoje duma suavidade extraordinária. Agostinho não podia ler o seu estimado Cícero, só por não encontrar nos seus escritos o nome de Cristo. Com que ênfase se exprime numa das suas famosas Meditações: «O suavíssimo, amantíssimo, bondosíssimo, querido, precioso e desejado Jesus!» (Med. c. 37). O novo convertido só tem em vista um objectivo: CRISTO.