NECESSIDADE DA CONVERSÃO
2. Sem a conversão, toda a criação visível é inútil, tal como o homem. Todas as criaturas visíveis no céu e na terra foram criadas para serviço do homem, sendo portanto este o que responde em nome de todas. O homem é, no mundo, o que a língua é no corpo. As outras criaturas não podem louvar o Criador, a não ser por sinais mudos. Por isso o homem é, por assim dizer, o sumo sacerdote da criação de Deus, para oferecer sacrifícios de louvor por todas as outras criaturas. É que Deus espera um tributo de louvor de tudo o que é obra da Sua criação. Ora é através do homem que a criação louva a Deus. Se o homem for falso, infiel e egoísta, o prejudicado é Deus, que assim é privado da glória que lhe possam tributar as Suas obras.
E assim se torna inútil a criação, obra de sabedoria e de bondade divina, só porque o homem não a representa devidamente perante Deus, sendo culpado da glória que lhe pertence. Pensa bem nisto! Enquanto não te convertes, todos os bons ofícios das criaturas de nada te servem: nem os alimentos que tomas, nem o sol que te aquece, nem os vestidos que te cobrem. Em suma, o trabalho contínuo de toda a criação é, sem dúvida, inútil para ti, perdendo todo o valor e toda a honra que por ti poderiam dar a Deus. É por isso que «toda a criação geme» (Romanos 8:22) sob o abuso daqueles que alteraram a ordem das coisas mediante a transgressão às leis para que foram criados.
Joseph Alleine (continua).
quinta-feira, 13 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
UM GUIA SEGURO PARA O CÉU
NECESSIDADE DA CONVERSÃO
D - Finalmente, nem sequer dispõe dos instrumentos e dos materiais apropriados. Assim como não se pode trabalhar o mármore sem o cinzel, nem pintar sem pincéis e tintas, do mesmo modo não é possível cultuar a Deus sem as convenientes graças do Espírito, que vêm a ser os materiais e os instrumentos dessa obra gigantesca! Quem dá esmola não serve a Deus, a não ser que o faça por amor de Deus. Aliás, aquela acção não passará de fumo e vanglória. O que vem a ser a oração meramente vocal sem a graça no coração? Um esqueleto sem vida. Que interessa confessarmo-nos sem o mais ligeiro arrependimento? O que serão as nossas súplicas , se não forem animados de santos desejos e de fé nos atributos e nas promessas de Deus? O que serão os nossos louvores, as nossas acções de graças, se não brotarem espontaneamente do amor de Deus e da santa gratidão do amor e das mercês infinitas por Deus concedidas? Será mais fácil as árvores falarem, ou os mortos ressuscitarem, do que ser agradável aos olhos de Deus o culto prestado por quem se diz cristão, mas na realidade nem sequer passou pelo primeiro grau da perfeição, que é a conversão. Se a árvore não é boa, que há a esperar dos frutos?
Sem te converteres, vives para quê? És um coito de aves imundas (Apocalipse 18:2), um sepulcro cheio de ossos de mortos e de toda a imundície (Mateus 23:27). Que situação tão lastimável! Não te parece então urgente uma mudança radical na tua maneira de ser e de agir? Não te custa ver os preciosos vasos sagrados do templo de Deus profanados e ao serviço dos ídolos? (Daniel 5:2-3). Não sentirás uma certa repugnância como os judeus sentiram, quando Antíoco colocou a imagem dum porco à entrada do templo? Quanto mais repugnante não seria ter transformado o templo num estábulo ou nu ma pocilga, e mudado o santo dos santos em casa de Baal! Pois este é o caso dos que se não convertem. Todos os seus membros se tornam instrumentos de injustiça, servos de Satanás. O coração passará a ser um templo de imundície e de impureza, que podeis facilmente adivinhar pela série negra de abominações que dele procedem: «Maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituições, furtos, falsos testemunhos e blasfémias» (Mateus 15:19). Um verdadeiro inferno, não te parece?
Que tristeza, ver assim tão aviltada uma alma que nasceu para o Céu! Que horror, contemplar a glória da criação de Deus, a principal das obras de Deus, enxovalhada desta maneira! Como é de lamentar que os preciosos filhos de Sião, comparáveis a oiro puro, sejam agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro; os que comiam iguarias delicadas desfalecem nas ruas; os que se criaram em carmesim abracem as estrumeiras (Lamentações 4:2,5). E não é ainda mais terrível ver o único ser que goza de imortalidade neste mundo, e que foi criado à semelhança de Deus, tornar-se um vaso sem graça e apenas ao uso dos mais sórdidos fins? Intolerável e indigno, não achas? Antes feito em mil pedaços do que prestar-se a tão vil serviço.
Joseph Alleine
D - Finalmente, nem sequer dispõe dos instrumentos e dos materiais apropriados. Assim como não se pode trabalhar o mármore sem o cinzel, nem pintar sem pincéis e tintas, do mesmo modo não é possível cultuar a Deus sem as convenientes graças do Espírito, que vêm a ser os materiais e os instrumentos dessa obra gigantesca! Quem dá esmola não serve a Deus, a não ser que o faça por amor de Deus. Aliás, aquela acção não passará de fumo e vanglória. O que vem a ser a oração meramente vocal sem a graça no coração? Um esqueleto sem vida. Que interessa confessarmo-nos sem o mais ligeiro arrependimento? O que serão as nossas súplicas , se não forem animados de santos desejos e de fé nos atributos e nas promessas de Deus? O que serão os nossos louvores, as nossas acções de graças, se não brotarem espontaneamente do amor de Deus e da santa gratidão do amor e das mercês infinitas por Deus concedidas? Será mais fácil as árvores falarem, ou os mortos ressuscitarem, do que ser agradável aos olhos de Deus o culto prestado por quem se diz cristão, mas na realidade nem sequer passou pelo primeiro grau da perfeição, que é a conversão. Se a árvore não é boa, que há a esperar dos frutos?
Sem te converteres, vives para quê? És um coito de aves imundas (Apocalipse 18:2), um sepulcro cheio de ossos de mortos e de toda a imundície (Mateus 23:27). Que situação tão lastimável! Não te parece então urgente uma mudança radical na tua maneira de ser e de agir? Não te custa ver os preciosos vasos sagrados do templo de Deus profanados e ao serviço dos ídolos? (Daniel 5:2-3). Não sentirás uma certa repugnância como os judeus sentiram, quando Antíoco colocou a imagem dum porco à entrada do templo? Quanto mais repugnante não seria ter transformado o templo num estábulo ou nu ma pocilga, e mudado o santo dos santos em casa de Baal! Pois este é o caso dos que se não convertem. Todos os seus membros se tornam instrumentos de injustiça, servos de Satanás. O coração passará a ser um templo de imundície e de impureza, que podeis facilmente adivinhar pela série negra de abominações que dele procedem: «Maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituições, furtos, falsos testemunhos e blasfémias» (Mateus 15:19). Um verdadeiro inferno, não te parece?
Que tristeza, ver assim tão aviltada uma alma que nasceu para o Céu! Que horror, contemplar a glória da criação de Deus, a principal das obras de Deus, enxovalhada desta maneira! Como é de lamentar que os preciosos filhos de Sião, comparáveis a oiro puro, sejam agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro; os que comiam iguarias delicadas desfalecem nas ruas; os que se criaram em carmesim abracem as estrumeiras (Lamentações 4:2,5). E não é ainda mais terrível ver o único ser que goza de imortalidade neste mundo, e que foi criado à semelhança de Deus, tornar-se um vaso sem graça e apenas ao uso dos mais sórdidos fins? Intolerável e indigno, não achas? Antes feito em mil pedaços do que prestar-se a tão vil serviço.
Joseph Alleine
terça-feira, 11 de maio de 2010
UM GUIA SEGURO PARA O CÉU
NECESSIDADE DA CONVERSÃO
1. Sem a conversão o ser humano é inútil. Não será pena que, como criatura, seja inútil a tua vida neste mundo? Antes de te converteres és de facto um ser inútil por não corresponderes à finalidade para que foste criado: para Deus e só para Deus. Se és homem e pensas, considera como foste criado e porque é que existes. Porque terias sido criado à imagem e semelhança de Deus? Considera as nobres faculdades da tua alma nascida para o Céu. Para que foi que Deus tas concedeu? Seria só para te agradar ou para as gozares? Teria Deus criado os homens como as andorinhas, para amontoarem paus e lama, construírem um ninho, criarem os filhos e depois partirem? Os próprios pagãos poderão ir mais além. Se és racional, não imaginarás um fim mais nobre?
Pensa bem. Não te parece que haverá algo de mais útil na tua pessoa? Se não fosses criado para Deus, serias inútil, talvez. Seria melhor nem existires. Se queres então cumprir a finalidade para que vives, só tens que arrepender-te e converter-te.
Sem um fim em vista, quem não se converte é um instrumento sem cordas ou desafinado. É o Espírito do Deus vivo que o repara e o afina pela graça da regeneração, e suavemente o toca pelo poder da graça que nele actua constantemente. Ou então as tuas orações e o culto que prestas a Deus não passarão de música desafinada que nem sequer chegam aos ouvidos do Altíssimo. Todas as tuas faculdades se encontram tão corrompidas no teu estado natural que, se não te purificares das obras mortas, não podes servir o Deus vivo. Quem não está santificado não pode realizar a obra de Deus.
A - Não sabe sequer como começar essa obra grandiosa da justiça, e isto porque a santidade encerra muitos mistérios, tanto na teoria como na prática. Ora quem não está ainda regenerado desconhece os mistérios do reino do Céu. Assim como um analfabeto não pode ler uma obra literária ou deliciar-se com um bom trecho de música por ser incapaz de manejar o instrumento, assim o homem carnal e mundano não pode oferecer ao Senhor um culto digno e agradável aos Seus olhos. Primeiro Deus tem de o ensinar (João 6:45), ele tem de aprender a orar (Lucas 11:1), a saber o que é útil (Isaías 48:17), aprender a caminhar (Oseias 11:3), ou então estará irremediavelmente perdido.
B - Nem mesmo tem forças para isso. Quão frágil é o coração humano! (Ezequiel 16:30). Como em breve se cansa, será um aborrecimento! (Malaquias 1:33). Sem forças (Romanos 6:5), pode dizer que o pecado o matou (Efésios 2:5).
C - Não tem ainda vontade para tal, porque não quer conhecer os caminhos do Senhor (Job 21:14). Não os conhece, nem se preocupa com eles (Salmo 82:5). Não os conhece, nem nunca os compreenderá!
Joseph Alleine (Continua).
1. Sem a conversão o ser humano é inútil. Não será pena que, como criatura, seja inútil a tua vida neste mundo? Antes de te converteres és de facto um ser inútil por não corresponderes à finalidade para que foste criado: para Deus e só para Deus. Se és homem e pensas, considera como foste criado e porque é que existes. Porque terias sido criado à imagem e semelhança de Deus? Considera as nobres faculdades da tua alma nascida para o Céu. Para que foi que Deus tas concedeu? Seria só para te agradar ou para as gozares? Teria Deus criado os homens como as andorinhas, para amontoarem paus e lama, construírem um ninho, criarem os filhos e depois partirem? Os próprios pagãos poderão ir mais além. Se és racional, não imaginarás um fim mais nobre?
Pensa bem. Não te parece que haverá algo de mais útil na tua pessoa? Se não fosses criado para Deus, serias inútil, talvez. Seria melhor nem existires. Se queres então cumprir a finalidade para que vives, só tens que arrepender-te e converter-te.
Sem um fim em vista, quem não se converte é um instrumento sem cordas ou desafinado. É o Espírito do Deus vivo que o repara e o afina pela graça da regeneração, e suavemente o toca pelo poder da graça que nele actua constantemente. Ou então as tuas orações e o culto que prestas a Deus não passarão de música desafinada que nem sequer chegam aos ouvidos do Altíssimo. Todas as tuas faculdades se encontram tão corrompidas no teu estado natural que, se não te purificares das obras mortas, não podes servir o Deus vivo. Quem não está santificado não pode realizar a obra de Deus.
A - Não sabe sequer como começar essa obra grandiosa da justiça, e isto porque a santidade encerra muitos mistérios, tanto na teoria como na prática. Ora quem não está ainda regenerado desconhece os mistérios do reino do Céu. Assim como um analfabeto não pode ler uma obra literária ou deliciar-se com um bom trecho de música por ser incapaz de manejar o instrumento, assim o homem carnal e mundano não pode oferecer ao Senhor um culto digno e agradável aos Seus olhos. Primeiro Deus tem de o ensinar (João 6:45), ele tem de aprender a orar (Lucas 11:1), a saber o que é útil (Isaías 48:17), aprender a caminhar (Oseias 11:3), ou então estará irremediavelmente perdido.
B - Nem mesmo tem forças para isso. Quão frágil é o coração humano! (Ezequiel 16:30). Como em breve se cansa, será um aborrecimento! (Malaquias 1:33). Sem forças (Romanos 6:5), pode dizer que o pecado o matou (Efésios 2:5).
C - Não tem ainda vontade para tal, porque não quer conhecer os caminhos do Senhor (Job 21:14). Não os conhece, nem se preocupa com eles (Salmo 82:5). Não os conhece, nem nunca os compreenderá!
Joseph Alleine (Continua).
segunda-feira, 10 de maio de 2010
UM GUIA SEGURO PARA O CÉU
NECESSIDADE DA CONVERSÃO
É possível que te admires de insistir tanto na mesma doutrina do arrependimento e da conversão. Mas dir-te-ei como Ruth a Noemi: «Não instes para que te deixe, e me afaste de ao pé de ti» (Ruth 1:16). Se a salvação fosse uma coisa sem importância, então não se me dava de te deixar sozinho. Mas acaso te aborreces por me lembrar de ti, quando estavas prestes a perecer no abismo? Na presença do Senhor sou a dizer-te que não tenho esperança de ver a tua face no céu, a não ser que te convertas. Desespero completamente da tua salvação, se não te voltares para Deus e a Ele te entregares em santidade e novidade de vida. Como Deus disse:«Se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus», e ainda te admiras tanto de os Seus ministros insistirem em tal doutrina? Não aches estranho que eu não descanse também enquanto não vir a imagem de Deus gravada no teu coração. Nem é possível entrar-se no céu por outro caminho. A conversão não é apanágio só dos cristãos cultos. Não! Toda a alma que é salva compreende e tem de passar por esta transformação.
Conta-se que um nobre romano, quando queria acudir à fome que sobreviera sobre uma cidade, assim falou aos seus marinheiros, que receavam o mau tempo: «O que interessa agora é navegar, não é a vida que conta». E o que é que conta para nós? O pão? A respiração? Sim, mas a conversão é de muito maior importância. É na verdade o que principalmente importa. As riquezas não são necessárias, podes vender tudo para comprar uma pérola de grande valor e ainda ficas a ganhar. Será necessária a vida? Podes perdê-la por Cristo, e com vantagem infinita. Será indispensável a reputação? Pelo nome de Cristo podes ser censurado e ainda te alegrares. Sim, neste caso é melhor que te censurem. Necessária te é a salvação, para a qual naturalmente tens primeiro de passar pela conversão. Não convém então dedicares-te a ela? Vê que é dela que depende a tua felicidade eterna.
Em cinco pontos vou mostrar-te a necessidade da conversão.
Joseph Alleine (continuação).
É possível que te admires de insistir tanto na mesma doutrina do arrependimento e da conversão. Mas dir-te-ei como Ruth a Noemi: «Não instes para que te deixe, e me afaste de ao pé de ti» (Ruth 1:16). Se a salvação fosse uma coisa sem importância, então não se me dava de te deixar sozinho. Mas acaso te aborreces por me lembrar de ti, quando estavas prestes a perecer no abismo? Na presença do Senhor sou a dizer-te que não tenho esperança de ver a tua face no céu, a não ser que te convertas. Desespero completamente da tua salvação, se não te voltares para Deus e a Ele te entregares em santidade e novidade de vida. Como Deus disse:«Se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus», e ainda te admiras tanto de os Seus ministros insistirem em tal doutrina? Não aches estranho que eu não descanse também enquanto não vir a imagem de Deus gravada no teu coração. Nem é possível entrar-se no céu por outro caminho. A conversão não é apanágio só dos cristãos cultos. Não! Toda a alma que é salva compreende e tem de passar por esta transformação.
Conta-se que um nobre romano, quando queria acudir à fome que sobreviera sobre uma cidade, assim falou aos seus marinheiros, que receavam o mau tempo: «O que interessa agora é navegar, não é a vida que conta». E o que é que conta para nós? O pão? A respiração? Sim, mas a conversão é de muito maior importância. É na verdade o que principalmente importa. As riquezas não são necessárias, podes vender tudo para comprar uma pérola de grande valor e ainda ficas a ganhar. Será necessária a vida? Podes perdê-la por Cristo, e com vantagem infinita. Será indispensável a reputação? Pelo nome de Cristo podes ser censurado e ainda te alegrares. Sim, neste caso é melhor que te censurem. Necessária te é a salvação, para a qual naturalmente tens primeiro de passar pela conversão. Não convém então dedicares-te a ela? Vê que é dela que depende a tua felicidade eterna.
Em cinco pontos vou mostrar-te a necessidade da conversão.
Joseph Alleine (continuação).
domingo, 9 de maio de 2010
UM GUIA SEGURO PARA O CÉU
NATUREZA DA CONVERSÃO
d) A tendência do novo convertido é orientada no sentido de guardar os estatutos e as normas que Deus determina, e ter como principal preocupação o seguir os caminhos de Deus. São nobres e elevadas as suas intenções, embora venha a tropeçar em breve. Apenas aspira à perfeição, e o mais ardentemente que pode. Só descansará quando atingir a perfeição da santidade (Filipenses 3:11-14).
E é aqui que, a pouco e pouco, se vai descobrindo o que vem a ser o hipócrita. Quais as suas pretensões? Ouçamo-las. A santidade para ele não passa duma ponte para atingir o Céu, por isso julga que basta praticar o mínimo de bem para alcançar os seus objectivos. Só o bem intencionado deseja a santidade por amor da santidade, e não simplesmente por amor do Céu. Não fica satisfeito só com a possibilidade de se salvar do Inferno, mas busca o seu mais alto grau. E ainda procura ir mais além, se possível. E contigo, que se passa? Já se modificou a tua vida? Buscas ou não a religião? Queres ou não ser santo? Vê lá se ainda estás longe da verdadeira conversão!
Mas será esta a conversão que é absolutamente necessária à salvação? Sabemos que são estreitos a porta e o caminho que conduzem à vida, e ainda que são poucos os que os encontram, sendo portanto necessário o poder divino do Salvador para converter um pecador.
Por conseguinte, ó bom leitor, procura de novo examinar-te. Que te diz a consciência? Acusa-te ou não? Quais os caminhos que palmilhas? Tudo bem, se são aqueles de que há pouco falámos. Mas se o coração te condena por viveres ainda no pecado? Não terás consciência de qualquer pecado secreto que te venha perseguindo e prejudicando? Um ou outro dever que não tenhas cumprido?
Não te diz a consciência baixinho que raramente te entregas à oração e à leitura da Palavra de Deus? Não te acusará de descuidares a salvação da alma dos teus parentes e amigos? Não te falará das fraudes cometidas nos teus negócios? Não te censurará pelas más companhias, pelo tempo perdido, pelos talentos mal gastos? Não te dirá, em suma, que estás simplesmente condenado?
Cumpre então os teus deveres, ó consciência! Em nome do Deus vivo te aconselho a que o faças em benefício desse pecador, que tanto precisa de arrepiar caminho e de se salvar! Porventura lisonjeias e louvas o seu modo de viver? Desperta e censura-o! Irá esta alma morrer na sua negligência de Deus e da eternidade, e tu na mais completa tranquilidade? Ele a pecar, e tu em paz? Oh! levanta-te e cumpre a tua missão! Não esperes por novo apelo! Grita, se preciso for, para que oiçam a tua voz e não sejas responsável pela perdição duma alma!
Joseph Alleine
d) A tendência do novo convertido é orientada no sentido de guardar os estatutos e as normas que Deus determina, e ter como principal preocupação o seguir os caminhos de Deus. São nobres e elevadas as suas intenções, embora venha a tropeçar em breve. Apenas aspira à perfeição, e o mais ardentemente que pode. Só descansará quando atingir a perfeição da santidade (Filipenses 3:11-14).
E é aqui que, a pouco e pouco, se vai descobrindo o que vem a ser o hipócrita. Quais as suas pretensões? Ouçamo-las. A santidade para ele não passa duma ponte para atingir o Céu, por isso julga que basta praticar o mínimo de bem para alcançar os seus objectivos. Só o bem intencionado deseja a santidade por amor da santidade, e não simplesmente por amor do Céu. Não fica satisfeito só com a possibilidade de se salvar do Inferno, mas busca o seu mais alto grau. E ainda procura ir mais além, se possível. E contigo, que se passa? Já se modificou a tua vida? Buscas ou não a religião? Queres ou não ser santo? Vê lá se ainda estás longe da verdadeira conversão!
Mas será esta a conversão que é absolutamente necessária à salvação? Sabemos que são estreitos a porta e o caminho que conduzem à vida, e ainda que são poucos os que os encontram, sendo portanto necessário o poder divino do Salvador para converter um pecador.
Por conseguinte, ó bom leitor, procura de novo examinar-te. Que te diz a consciência? Acusa-te ou não? Quais os caminhos que palmilhas? Tudo bem, se são aqueles de que há pouco falámos. Mas se o coração te condena por viveres ainda no pecado? Não terás consciência de qualquer pecado secreto que te venha perseguindo e prejudicando? Um ou outro dever que não tenhas cumprido?
Não te diz a consciência baixinho que raramente te entregas à oração e à leitura da Palavra de Deus? Não te acusará de descuidares a salvação da alma dos teus parentes e amigos? Não te falará das fraudes cometidas nos teus negócios? Não te censurará pelas más companhias, pelo tempo perdido, pelos talentos mal gastos? Não te dirá, em suma, que estás simplesmente condenado?
Cumpre então os teus deveres, ó consciência! Em nome do Deus vivo te aconselho a que o faças em benefício desse pecador, que tanto precisa de arrepiar caminho e de se salvar! Porventura lisonjeias e louvas o seu modo de viver? Desperta e censura-o! Irá esta alma morrer na sua negligência de Deus e da eternidade, e tu na mais completa tranquilidade? Ele a pecar, e tu em paz? Oh! levanta-te e cumpre a tua missão! Não esperes por novo apelo! Grita, se preciso for, para que oiçam a tua voz e não sejas responsável pela perdição duma alma!
Joseph Alleine
sábado, 8 de maio de 2010
UM GUIA SEGURO PARA O CÉU
NATUREZA DA CONVERSÃO
b) O que o coração deseja é saber qual a vontade e intenção de Cristo, revelando-Lhe todos os pecados e não desconhecendo os deveres que tem a cumprir. Deste modo se deve exprimir um coração já santificado: «Senhor, se em mim notas qualquer sentimento de maldade, peço-te que mo dês a entender. Ensina-me o que eu não sei, pois não quero tornar a praticar qualquer espécie de pecado». O falso convertido é um ignorante voluntário, que não quer voltar ao caminho da luz. De boa mente se apega a este ou àquele pecado; por isso, sabendo que se trata dum pecado, devia abandoná-lo imediatamente. Só um coração puro e recto está pronto a reconhecer o mal e a afastar-se dele, por saber até onde pode ofender o Criador, transgredindo as Suas leis. De alma e coração conhece e aceita a Palavra de Deus, que o ajuda a melhor compreender os seus deveres, desconhecidos ou esquecidos, e ainda o ajuda a descobrir pecados ocultos.
c) A livre e resoluta escolha da vontade vai para os caminhos de Cristo, que antepõe a todos os prazeres do pecado e a todas as prosperidades do mundo. O seu consentimento não deriva de qualquer circunstância angustiante, nem é uma resolução repentina; é antes uma escolha que ele toma pensada e deliberadamente. É verdade que a carne se revolverá, embora sabendo que nada poderá fazer, visto a vontade se decidir absolutamente pelas leis de Cristo. Enquanto o não convertido se sente forçado nos caminhos de Deus, o convertido alegremente considera as leis de Cristo como liberdade e não prisão. Que prazer para ele as belezas da santidade, que vêm a constituir uma nota característica na sua vida espiritual! Em tais condições, se lhe dessem a escolher, não hesitaria pela vida de santidade a troco da mais regalada vida mundana. «Seguiram com Saul muitos homens cujos corações Deus tinha tocado» (1 Samuel 10:26). Quando Deus toca o coração dos eleitos, esses logo seguem a Cristo, entregando-se em cheio ao serviço do Senhor. O temor existe, mas um temor reverencial, que orienta e beneficia o coração já santificado. Os vassalos de Cristo não são dominados pela força, porque é um Rei de vassalos voluntários, por cuja graça se dedicam totalmente ao Seu serviço. Mas servem como um filho ou uma esposa, e não como escravos. Amor e lealdade - é o lema do verdadeiro convertido que continuamente se dedica ao serviço do Senhor.
Joseph Alleine (continua).
b) O que o coração deseja é saber qual a vontade e intenção de Cristo, revelando-Lhe todos os pecados e não desconhecendo os deveres que tem a cumprir. Deste modo se deve exprimir um coração já santificado: «Senhor, se em mim notas qualquer sentimento de maldade, peço-te que mo dês a entender. Ensina-me o que eu não sei, pois não quero tornar a praticar qualquer espécie de pecado». O falso convertido é um ignorante voluntário, que não quer voltar ao caminho da luz. De boa mente se apega a este ou àquele pecado; por isso, sabendo que se trata dum pecado, devia abandoná-lo imediatamente. Só um coração puro e recto está pronto a reconhecer o mal e a afastar-se dele, por saber até onde pode ofender o Criador, transgredindo as Suas leis. De alma e coração conhece e aceita a Palavra de Deus, que o ajuda a melhor compreender os seus deveres, desconhecidos ou esquecidos, e ainda o ajuda a descobrir pecados ocultos.
c) A livre e resoluta escolha da vontade vai para os caminhos de Cristo, que antepõe a todos os prazeres do pecado e a todas as prosperidades do mundo. O seu consentimento não deriva de qualquer circunstância angustiante, nem é uma resolução repentina; é antes uma escolha que ele toma pensada e deliberadamente. É verdade que a carne se revolverá, embora sabendo que nada poderá fazer, visto a vontade se decidir absolutamente pelas leis de Cristo. Enquanto o não convertido se sente forçado nos caminhos de Deus, o convertido alegremente considera as leis de Cristo como liberdade e não prisão. Que prazer para ele as belezas da santidade, que vêm a constituir uma nota característica na sua vida espiritual! Em tais condições, se lhe dessem a escolher, não hesitaria pela vida de santidade a troco da mais regalada vida mundana. «Seguiram com Saul muitos homens cujos corações Deus tinha tocado» (1 Samuel 10:26). Quando Deus toca o coração dos eleitos, esses logo seguem a Cristo, entregando-se em cheio ao serviço do Senhor. O temor existe, mas um temor reverencial, que orienta e beneficia o coração já santificado. Os vassalos de Cristo não são dominados pela força, porque é um Rei de vassalos voluntários, por cuja graça se dedicam totalmente ao Seu serviço. Mas servem como um filho ou uma esposa, e não como escravos. Amor e lealdade - é o lema do verdadeiro convertido que continuamente se dedica ao serviço do Senhor.
Joseph Alleine (continua).
sexta-feira, 7 de maio de 2010
UM GUIA SEGURO PARA O CÉU
(ver mensagem em 05/01/2010)
B - Voltamo-nos para as leis e para os caminhos de Cristo, que outrora não admitíamos de forma alguma, mas agora de bom grado escolhemos como norma e guia para a eternidade.
Neste sentido, Deus opera no coração do convertido de quatro maneiras, que é conveniente conhecermos para bem da nossa alma. Ei-las:
a) O juizo é levado a aprovar essas leis e caminhos como os mais justos e os mais razoáveis. A inteligência é convidada a amá-los, e bem assim a rejeitar s antigos preconceitos que se opunham a essa maneira de ver. Os caminhos do Senhor são agora considerados santos, justos e bons (Romanos 7:12). Como David exaltava as maravilhas da Lei de Deus! Como cantava os seus louvores, e admirava as qualidades inerentes e os seus efeitos admiráveis (Salmo 19:8-10, etc.).
O juízo que fazemos das leis e dos caminhos do Senhor tem dois aspectos: um absoluto, outro relativo. O primeiro dá-se quando um homem pensa que se trata dum processo bom duma maneira geral, mas não para ele, ou nas actuais circunstâncias. O segundo quando esse processo é considerado realmente bom, não só em geral, mas também, particularmente, isto é, para ele, novo convertido, para quem as normas da religião se podem aceitar e desejar mais que as riquezas humanas.
Através deste juízo os caminhos do Senhor são tidos como o que neste mundo há de mais santo, mais agradável, mais prudente e mais racional. Assim dirá: «Amo os teus mandamentos, ó Senhor, mais que o oiro, e até que o oiro fino; por isso tenho em tudo como rectos todos os teus preceitos e aborreço toda a falsa vereda» (Salmo 119:127-128). É de notar como aprova tudo aquilo que Deus ensina, e, pelo contrário, desaprova o que Deus proíbe. «Senhor, justos e rectos são os teus juízos. Os testemunhos dados por ti são justos e fidelíssimos. A tua palavra é fiel desde o princípio e cada um dos teus justos juízos dura para sempre». (Salmo 119). Vê como é expresso o consentimento dado a tudo o que é do Senhor!
Joseph Alleine
B - Voltamo-nos para as leis e para os caminhos de Cristo, que outrora não admitíamos de forma alguma, mas agora de bom grado escolhemos como norma e guia para a eternidade.
Neste sentido, Deus opera no coração do convertido de quatro maneiras, que é conveniente conhecermos para bem da nossa alma. Ei-las:
a) O juizo é levado a aprovar essas leis e caminhos como os mais justos e os mais razoáveis. A inteligência é convidada a amá-los, e bem assim a rejeitar s antigos preconceitos que se opunham a essa maneira de ver. Os caminhos do Senhor são agora considerados santos, justos e bons (Romanos 7:12). Como David exaltava as maravilhas da Lei de Deus! Como cantava os seus louvores, e admirava as qualidades inerentes e os seus efeitos admiráveis (Salmo 19:8-10, etc.).
O juízo que fazemos das leis e dos caminhos do Senhor tem dois aspectos: um absoluto, outro relativo. O primeiro dá-se quando um homem pensa que se trata dum processo bom duma maneira geral, mas não para ele, ou nas actuais circunstâncias. O segundo quando esse processo é considerado realmente bom, não só em geral, mas também, particularmente, isto é, para ele, novo convertido, para quem as normas da religião se podem aceitar e desejar mais que as riquezas humanas.
Através deste juízo os caminhos do Senhor são tidos como o que neste mundo há de mais santo, mais agradável, mais prudente e mais racional. Assim dirá: «Amo os teus mandamentos, ó Senhor, mais que o oiro, e até que o oiro fino; por isso tenho em tudo como rectos todos os teus preceitos e aborreço toda a falsa vereda» (Salmo 119:127-128). É de notar como aprova tudo aquilo que Deus ensina, e, pelo contrário, desaprova o que Deus proíbe. «Senhor, justos e rectos são os teus juízos. Os testemunhos dados por ti são justos e fidelíssimos. A tua palavra é fiel desde o princípio e cada um dos teus justos juízos dura para sempre». (Salmo 119). Vê como é expresso o consentimento dado a tudo o que é do Senhor!
Joseph Alleine
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